05/02/2009

Trelando na Moranga


É comum na vida das pessoas se descobrir novidades a cada dia, no entanto não estamos nem fomos educados pra redescobrir coisas novas em velhos hábitos ou lugares. Acredito que de certa maneira é o que podemos classificar de inusitado, partindo do princípio classificatório entre as coisas cotidianas e as esporádicas.

Tive o duplo prazer, a poucos dias atrás, de visitar um bar que há muito não ia, mesmo frequentando a um tempo razoável e o que é melhor, descobri um prato delicioso preparado de maneira ímpar. O tão famoso, Camarão na Moranga… Ainda procuro adjetivos pra descrever tamanha delícia. O Guaiamum Treloso. Esse é o nome do culpado pela minha inércia linguística. Situado em Casa Forte na rua Oscar Ferreira, n.º 330, Recife-PE.


Ambiente agradabilíssimo, lembra a varanda arejada da casa de praia da vovó; gente bonita; preço bom e justo, algo raro a cada dia que passa; ótimo atendimento; estacionamento amplo seguro e o que é melhor, comidas deliciosas. Poucos bares agregam tantos valores de forma a satisfazer uma clientela eclética.

Voltando ao Camarão... Saboroso, bem temperado, molho cremoso e homogêneo. Não me envergonho em declarar que raspo a moranga ao ponto de alcançar o prato. Pedindo uma porção de arroz branco pra acompanhar, sua Moranga se tornará um prato completo digno de ser chamado almoço ou ceia sem falar que quatro pessoas comerão tranquilamente. Detalhe importante para os apreciadores de uma boa pimentinha: eles servem uma preparada de maneira sigilosa que é simplesmente a melhor que já comi até hoje. A pimenta aparenta ser molho de coco batido com temperos, sei lá o quê de tão gostoso, só sei que a cor é meio rosada e o gosto é perfeito. Pra completar, quem quiser experimentar e aprovar a moranga, a danada custará uma bagatela.

Nem parece verdade eu sei, mas felizmente é. Não perca tempo, Corra com sua gata ou família pra conferir as delícias que o Guaiamum Treloso reserva pra todos. Nota 10 para o Treloso.

04/02/2009

Grandes Botequeiros da História 2


Tan ran ran ran ran ran raaannn...

Já que me acusaram de homem das séries de uma postagem só, venho aqui contradizer o cabra safado que me chamou disso e vou postar a N° 2 dos Grandes Botequeiros da História.

Resolvi homenagear um cara que me influenciou muito. Um cara que chorei quando morreu.
O Kid Mumú da Mangueira, o grande pássaro, o melhor dos trapalhões, MUSSUM.

Além de grande comediante, Mussum (Antônio Carlos Bernardes Gomes) foi sambista dos Originais do Samba e o maior dos cachaceiros da televisão brasileira.

Entre tantas piadas maravilhosas, há aquela em que Mussum entra bêbado no boteco e diz pro barzeiro:


- Põe um metro de cachaça pra mim!

O barzeiro responde: – Um metro? mas senhor...

Aí, Mussum insiste: – Vamo, tô mandando! Ponha uma metro de cachaça.

O barzeiro furioso pensa: "Vou fuder esse negão". Pega uma régua e espalha um metro de cachaça no balcão.

- Pronto senhor – diz ele – está aqui sua cachaça.

Aí, responde o malandro: - Agora, embrulha que é pra viagem!

Sua genialidade foi além até da Língua Portuguesa. Ele inventou um dialeto só seu, com palavras como: mé, forevis, cacildis, etc... Se não sabem do que estou falando, lhes apresento o maravilhoso conversor linguístico: o Mussumgrafer onde você digita e manda traduzir (cliquem em to mussum) e ele transforma tudo que escreveu no mussumnhês:
http://www.camaleon.com.br/vacuo/mussumgrapher.swf

Genialzis! Sem cometáris!!!! Muito Fódis!!!!

Fuizis!!!

03/02/2009

De butuca na devassa


Estava eu, muito tranquilamente tomando um café num barzinho, desses de shopping de centro da cidade, quando de repente olho pro lado e me deparo com quem? Quem? A tal da Devassa! (notaram minhas claras influências dos mestres da oratória Armando Volta e Aldemar Vigário?)

Qual foi minha surpresa quando descobri que a nova loira (que não é do tchan!) não só se chama Devassa, como vem acompanhada do slogan “Um tesão de cerveja”.

Pois é, amigos! Agora complicou muito a situação das outras, porque segundo o próprio site da cerveja “Devassa é tudo o que as outras cervejas gostariam de ser, mas morrem de vergonha”. Entendeu? Chamaram as outras de pudicas! É um abuso mesmo!

Se essa tal de Devassa conseguir fazer “barulho” vai ser uma guerra só, ainda mais do jeito que é obscena a publicidade cervejeira, imagina se as outras vão deixar barato?! Logo vão aparecer: “Escrota, um gozo de cerveja”, “Depravada, uma excitação de cerveja”, “Safada, um esporro de cerveja”, na versão de Lobão “Pompoarista, uma paudurescência de cerveja!”, na versão de Miguel (aquele do destino insólito) “Tetéia, um filho do governador de cerveja!”, e em Santana do Agreste “Cabrita, um caso sério de cerveja”!

As garotas propaganda então... Já imaginou as beldades? Vou sugerir algumas: Gretchen (ainda dá um caldo, e caldinho com cerveja é sempre bom), Mulher Melancia (melancia com cerveja? Acho que as mulheres frutas caem bem em propaganda de branquinha mesmo, nesse caso uma Mulher Caju ou Limão seria perfeito), Mulher Filé (porque filé com cerveja também tá valendo! pra quem não sabe, essa moça é a da dancinha que o Genival Lacerda chamaria de “cartão cheiroso”, o vulgo “Cucard”).

Concordo que pra falar (bem ou mal) da Devassa é preciso provar... Confesso que não conheço seu conteúdo, não tenho propriedade pra discorrer sobre suas qualidades ou defeitos, sou uma mera teórica de Devassa... Se alguém já teve um contato mais íntimo com a supracitada fique à vontade, conte-nos sua experiência! Estamos de butuca.

02/02/2009

A hora da cota* [2]


*Para provar que o assunto sério, dividimos em duas partes.

Para aqueles que acham que se enveredar pelo caminho da cachaça é somente diversão num dia e ressaca n’outro, muito cuidado! Cachaça é bicho traiçoeiro e beber, além de filosofia de vida, é ciência inexata que requer empirismo e, principalmente, alguns macetes.

Não pense que aqui você encontrará O Teorema Universal da Cachaça - pois parafraseando Isaac Newton, entregamos logo: “O que DBNB bebe é uma gota e o que DBNB precisa beber é um oceano”. Se você vir alguém daqui se gabando que manja TUDO de birita e tals, só tem uma explicação: ele(a) conseguiu entrar bebo no blogspot e tá escrevendo merda.

Entretanto, em nossa longa estrada etílica (carreira de cachaceiro é feito jogador de futebol - normalmente - não dura muito), separamos algumas dicas que conseguimos adquirir - entre cachaças, trupicões & lambidas de cachorro - que irão ajudar alguns desavisados ou iniciantes na prática “meropeiense”.

Antes de tudo, saiba: várias personagens compõem o ambiente botequense; entretanto, a mais importante de se reconhecer de imediato é, sem sombra de dúvidas, a espécime arregueiruns safadus, ou simplesmente, o arregueiro.

Todo arregueiro acha que vai te enrolar (beber, beber, beber e pagar pouco ou nada) sem você notar... Mesmo que você esteja a fim de pagar cachaça pra o Mundo, fazendo um estudo de caso ou tão somente propagando o que Jesus ensinou (caridade); ele não vai ter pena.

O arregueiro normalmente é aquele cara que quando te vê de longe já vem se abrindo feito rapariga de cabaré falido e chega logo pedindo um cigarro feito fí-de-cego que canta em feira. Pergunta por teu pai pra tentar mostrar intimidade ou puxa assunto sobre um parente teu falecido [“aquilo é que era um véi bom!”] pra tentar te amolecer... Seja duro! “Arregueiro comigo come arroidado” é o lema.

Pronto. Você já identificou o sem-noção, agora é só decidir se quer aturar, evitar ou expulsá-lo de sua mesa com as seguintes dicas:


1ª seja o arregueiro
Assim que o avistar faça uma festa dobrada, abraçando-o e fingindo alegria em vê-lo com a seguinte cascata:
“Putaqueopariu, Zé Roberto! Tu num morre mais!!! Tava pensando em tu agorinha... Rapaz, tava tomando uma aqui pra afogar as mágoas de ter perdido o emprego. Tô lisinho, meu véi... Já ia falar fiado a Luciano e tu aparece pra me socorrer, meu anjo-da-guarda... tu caiu do céu, carái!”

2ª dê uma de doido
Quebre uma ou duas garrafas [acredite, o prejuízo com o arregueiro em sua mesa será maior], simule coito com a cadeira, fale sem parar sozinho [ou com o copo] sem prestar atenção aos cumprimentos dele e balbucie coisas do tipo: “Minha calça tá sem açúcar” ou “Nós decidimos que você deve morrer, pequeno Jimmy”. Ah, não esqueça de falar essas coisas sempre virando os olhos e rindo pr’um ponto no infinito.

Essas técnicas normalmente devem ser usadas quando você está bebendo sozinho. Mas, e se você estiver com os amigos?

3ª a conta fuderosa
Combine previamente com seus amigos [e com o dono do bar, lógico] a simulação de uma confusão por causa da conta absurda, caso surja um arregueiro. É ele chegando e você dizendo: “Mermão, que tanto a gente bebeu que deu 200 conto???”
Pronto, esse é o sinal.
“Duzentos contos? Como assim???”
“Esse porra quer ficar boçando pedindo uísque!!!”
“Uísque um carái, esse cara tá é querendo roubar a gente!!!”
[...]
É claro que o arregueiro vai cumprimentá-los rapidamente e sair de fininho pra não ver o desfeche da história.

4ª papos-chatos
Caso essas técnicas não dêem resultados, puxe papos-chatos, do tipo: novelas da Record, cirurgia de catarata da vovó, reunião da Associação de Moradores ou do novo movimento que está fazendo parte: “Salvem as libélulas-vermelhas do norte do Azerbaijão”.

Se AINDA ASSIM, ele insistir e não der no pé, é hora de recorrer a métodos menos ortodoxos:


5ª Ovo MAU-tino
Já que você tem que pagar cachaça pr’esse porra, que seja até o fim...
Faça-o ficar totalmente embriagado. De quatro, literalmente... e não alivie. Quando ele cair, arreie suas calças e quebre a clara de um ovo em sua bunda...
Se no outro dia ele num acreditar que foi “abusado”, parar de beber e virar crente, eu choche!

Reforce a história só pra garantir:
“Rapaz, fique tranquilo que não vou contar pra ninguém... só não sabia que tu era chegado num negão...”

Bem amiguinhos, é isso aí. Sempre alerta!

01/02/2009

Nervos de Aço - Jamelão


Nesta semana, Jamelão "botapalascá" nos coraçõezinhos botequeiros interpretando essa clássica dor-de-cotovelo do grande Lupicínio Rodrigues:

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E-rreita, porra!

31/01/2009

Obama, O Brahma


Este é um ano periniano. Sim, do períneo, amigos leitores. Pois como o períneo divide o cu do côncavo e do convexo (pra você, Rei Bob Carlos), o ano de 2009 divide um ano olímpico de um ano de Copa. E teremos a Cidade da Copa! Viva Dudu! As pesquisas já falam em Dudu X Já-Já em 2010: um amigo meu disse que era Dudu e dava o primeiro turno a Já-Já... Comentários a parte, estamos aqui para falar de álcool. Eu vim aqui por isso. (Parodiei o Paulo Lins no livro Cidade de Deus).

Bem, em virtude de tanto ligar a TV e ver uma dança típica dos mais variados botecos desse mundão a fora que é a Nação Pernambuco (a outra nação que fala português na América do Sul. Na América do Sul mesmo, porque Miami também é uma nação...) roubada, estuprada, sodomizada, e pior, americanalhada por nossos telejornais (nem sei se está correto isso ainda...)... Pomba, dizer que uma dança que tive com uma figura em 2003, em frente ao bar Castelo Marrom, aquele mesmo por trás do Shopping Boa Vista (PS: a figura era uma mulher, pra que não fiquem pensando besteiras), agora é a Dança do Obama!!!
O pior é que não posso mais fazer nada contra isso, porque tal nomenclatura pegou. Agora não sobrou nem pro arrocha; é Dança do Obama mesmo!!


Mas como diz Regibral ,um amigo meu, "Queres esquentar o cu com rola fina?", eu não vou fazer nada, até porque, como também diz meu irmão caçula: "Merda cagada não volta ao cu". Também vou entrar na onda e dizer que é a Dança do Obama mesmo. Rabisquei até um nome em latim: Obamae Bailarinassus. Sei, sei: está uma merda. Mas fazer o quê? A Novela das 9 também está e não é que me deu saudades da Flora?! Fiquei com uma saudade tremenda daqueles agudos chitãozinho-xororianos "Quando beijei ele nunca mais amei ninguém..." Se a letra estiver errada, foi mal... Mas aí, caros leitores, voltamos ao ano periniano. A crise aumentando, O Democratas, o partido do DEMO, falando que nem pastor, o BBB zoological todo dia, Brad Pitt no cinema, e Obama na Globo, no SBT, na Record (viva Edir Macedo! E me lembrei do cristão que tem um certificado de terreno assinado por Jesus Cristo. Tocante.), até na MTV!!! Só faltava também no Programa de Adherval Barros!!!

Porém, assisto à novela “O Caminho das Índias”, e concluo: eu também quero encontrar o caminho das índias. Todas elas. Observo a dança do ventre, os rebolados tupininquins dançando que nem amuleto de hipnotizador, pra lá e pra cá... pra lá e pra cá. O que é que tem brasileiro pra achar que sabe a cultura de todo mundo? Vem o comercial: lá está Obama. Volta a novela. Volta o comercial: lá está Obama. Aí o bebum do lado, mais pra lá de Marrakesh do que Teerã, diz entre perdigotos: - Esse Obama deve ter uma macaca da gota serena. Tomo mais um gole. Reflito. Olho pra Obama com uma certa inveja. O cara fala em novos tempos, um novo mundo... eu acredito (sim, o álcool já dominava meus sentidos), e penso em Obama como um deus, um deus negro com a macaca de Ganga Zumba. Reflito: ele vai criar novos tempos; ele é um deus. E envolvido pela novela global, lembro-me do deus da criação para os hindus e da cerva gelada nos meus beiços: Obama devia se chamar O Brahma.


30/01/2009

Se alguém souber, eu choche!


Botequeiro (ou butuqueiro, tanto faz) que é botequeiro (butuqueiro) tem bom papo (além de ser papudinho). E nessa de ter bom papo, quando o trinômio mulher-futebol-política descambar pra baixaria-quase-agressão-física, o botequeiro (butuqueiro) da paz (o que inclui obviamente os do Bar de Zé da Paz, né, Ju? Né, Ray?) deve ser assaz habilidoso para mudar repentimanente o rumo da prosa. Fugir do trinômio nefando e escatológico é urgente.

Mas o que fazer? É necessário que a arenga seja interrompida por um assunto que ninguém domine. Algo fora do comum, mas que seja levemente conhecido de todos de modo a causar curiosidade. Algo que seja conhecido sem ser inteiramente conhecido.


Vou tentar dar um exemplo. Talvez o melhor. Digo por experiência própria. Trata-se do esotérico tema da “baunilha”. Sim, não estou bêbado enquanto digito estas mal-tecladas. Falo do misterioso assunto da “baunilha”. Me explico melhor. Quando, os ânimos estiverem exaltados, naquela pausa entre um “vai te fudê, e Carlinhos Bala é jogadô” e um “teu time é o bom, quero é vê no Arruda, pai!”, você, pacífico etílico, deve soltar rapidamente a frase-desafio:

- NESSA MESA SÓ TEM GENTE SABIDA, MAS SE ALGUÉM AQUI JÁ VIU UMA BAUNILHA, EU CHOCHE!

Em tempo, “choche” é forma verbal que vem de chochar (ficar chocho, seco, fraco que nem "caldinho de salsicha"). Trata-se de uma alternativa ao tradicional “eu cegue” (que não deve mais ser usado, em respeito a portadores de necessidades especiais).


Em cerca de 98% das vezes em que usei a frase, a arenga sofreu no mínimo uma suspensão de meia-grade de cerveja. Não raro, os olhos de todos os presentes ostentam aquele ar de dúvida e de tentativa de acessar o recôndito banco de dados cerebral. Quase nunca o google dos miolos das pessoas guarda imagens e textos sobre baunilha. Só referências ao sabor.


Mas quase sempre você será interpelado com um “sim, e o que isso tem a ver com a conversa?” Não desista, insista. Vale até dizer: “dou uma grade de Bohemia se alguém aqui provar que já viu uma baunilha na vida. Pra ganhar, tem que descrever como ela é”. Aí, negão, o bicho pega. Por uma grade de Bohemia, vão surgir blefes e erros crassos como aquele de quem diz “grandes merdas, baunilha é o nome de uma essência que se bota em bolo e sorvete.”

E tu, com a alma regozijante, vai responder com um sorriso sarcástico: “É muito essência, visse, boiocó? A essência é extraída da baunilha, ela não é a baunilha”. Nesta altura, arenga nenhuma mais se registra sobre o trinômio mulher-futebol-política. Já tem neguinho caladinho, só esperando a resposta, morto de curiosidade. Todos estão com o ridículo assunto da baunilha nos cérebros já encharcados de álcool.


Não fale logo. Beba alguns bons goles de geladinha e coma bons pedaços de charque com batata e sempre sorria o sorriso dos vitoriosos. Espere as manifestações de impaciência de todos e quando um mais afoito disser que nem mesmo você sabe o que é uma baunilha, mostre erudição e explique da seguinte forma:


“Baunilha é uma espécie de orquídea que dá umas vagens grandes de onde se extrai um aromatizante bem caro, usado pra dar cheiro em chocolates, sorvetes, bolos e até em perfumes, cremes e outras coisas.”


Mas se quiser, pode ser mais pedante e afetado e dar uma explicação mais técnica como essa:

“designação comum às plantas do gênero Vanilla, da família das orquidáceas, com 100 espécies, de lianas escandentes, epífitas, por vezes afilas, cultivadas pelos frutos compridos, dos quais se extrai a essência de baunilha”.

Pronto, botequeiro (butuqueiro) da paz. Sua missão cristã foi cumprida. Pelo menos por meia-grade de cerveja, não houve arenga e você ainda deixou gente doida pra chegar em casa e digitar no google “baunilha” pra finalmente ver como a bicha é e não passar vexame nunca mais.


P.S.: Você pode substituir a baunilha pelo lúpulo, componente da cerveja, se achar que o primeiro tema é muito nada a ver. Eu também choche se tu souber e já tiver visto um lúpulo. Vai lá a explicação: “O lúpulo é uma flor da família das canabidáceas - sim, a mesma da maconha! - que entra na composição das cervejas. Apesar do parentesco, a planta não tem efeito entorpecente: serve para dar à cerva seu amargor, além de contribuir no aroma da bebida. Para quem se preocupa com o hábito de entornar uns copos, vai um alento: o lúpulo pode fazer bem à saúde. Ele possui antioxidantes naturais potentes. Como antioxidantes entendem-se substâncias que retardam a deterioração de tecidos celulares".

28/01/2009

Vivendo no Morro


"Tudo vale a pena se a alma não é pequena" já dizia o poeta Fernando Pessoa. Baseado neste poético pensamento é que falo aos amantes do turismo regional sobre as maravilhas que o Morro da Conceição reserva a todos: uma igreja novinha em folha digna de ser chamada " Catedral de Nossa Senhora da Conceição", belas paisagens pra todos os lados que a vista alcançar, ar puro, bares e um povo festeiro.

Não sei falar ao certo de onde vem a hospitalidade do cidadão morrense. Às vezes penso que são as mãos de Nossa Senhora sobre nossas cabeças... A única certeza que tenho é que temos diversão pra todos os tipos de aventureiros.

Pra quem gosta de comida caseira quentinha e aquela cervejinha, temos várias opções como o Bar da Geralda que serve, entre vários pratos, uma galinha cabidela de dar água na boca; já o Bar de Lula, tem uma carne de sol com queijo qualho e uma verdurinha que é de impressionar pelo preço baixo e pelo sabor. Para os dançarinos de plantão, temos a famosa Escola de Samba Galeria do Ritmo com seus batucajés suingados e o Acadêmico com noitadas de muito brega e cubanas. Coisa fina pra ninguém botar defeito.

Aos ortodoxos de plantão, lembro que o primeiro milagre de Jesus consistiu em transformar água em vinho, por isso o morro nem impressiona tanto nos momentos "religiosos". Outro dia estava olhando o movimento na praça, quando passou um cabôco rezando com uma vela na mão, quando menos esperamos, lá vem o sem-vergonha trêbado com um copo de cana e cantando um brega rasgadíssimo.
É mole?

Mas dentre outras coisas que o Morro oferece, quero destacar a iniciativa corajosa de duas jovens que, na tentativa de driblar a dificuldade financeira, inteligentemente puseram uma tenda de delícias típicas da culinária nordestina com um toque especial nos pratos e na organização.
Sob a tenda azul, o cliente encontra, aquecido por panelas de barro em fogo de lenha, delícias como: sururu de coco com camarão, arrumadinho, dobradinha, sarapatel e muito mais.
Tudo preparado com muita sensibilidade, tempero suave, caldo apurado e saboroso - dignos dos paladares mais exigentes.
É a famosa Barraca do Surubão. O nome é curioso e combina com a variedade dos pratos servidos pelas simpáticas jovens Sandra e Ana, que além de tudo, cozinham e administram o simpático ponto.

A Barraca fica na
rua principal, próximo a galeria, em frente a antiga barraca de Seu Tonhinho (morador que mantém em sua mente lúcida as histórias mais antigas do morro).

Então, sigam a dica do chef Felic: reservem um final de semana e venham conhecer o Morro da Conceição, nossas belezas, rezar aos pés da padroeira do Recife e comer as delícias da Barraca do Surubão. Depois de experimentarem todo esse leque turístico aposto que um regresso ao morro será algo imprescindível.


Abraço a todos.

27/01/2009

Fim de semana perfeito


Noite de sábado. Na calçada do Bar Moreno a cerveja, como sempre, super-hiper-mega-plus-ultra-power gelada. A batata com charque (ou charque com batata?) deliciosamente derrete na boca. A conversa rola solta. Os assuntos são os mais variados: futebol, política, cachaça, rock’n roll, etc. Eis que surge. . . “um boyzinho” (by João do morro), com o seu carrão super equipado, rodas de liga leve, aerofólio com brake light, spoilers laterais, farol xenon, saída do escape cromada, suspensão rebaixada. Cotovelo esquerdo apoiado na janela do carro e a direita no volante. Óculos escuros Spy, bermuda Seaway, tênis Nike, camisa do Olinda Beer do ano passado, cabelo moicano e bastante gel. Pára (agora não sei mais se é com ou sem acento) o carro próximo a calçada. Desce e abre a mala. É aí que começa a tortura. Ele liga o som. E para variar (MODE IRÔNICO) a música é quebradeira. E para variar mais ainda (MODE MAIS IRÔNICO AINDA) a banda é Marreta You Planeta. Ou melhor, eu acho que seja, afinal, é quase impossível distinguir das demais bandas de quebradeira. Ainda mais naquela altura. Logo encostam as “piriguetes”. Sainha curta, cabelo na chapinha, topzinho e salto alto. Nem sóbrio eu me equilibraria num troço desses. Morga o nosso papo. Vou-me embora. . .

Na volta pra casa, lembro-me que ainda restam umas latinhas de Skol na geladeira. No fogão a sobra do macarrão do almoço. Macarrão frio não rola. Decido esquentar. Não apenas esquentar. Ponho em prática meus dotes culinários (muito abaixo dos dotes do Mestre Felic). Sardinha, milho, ervilha, azeitona, maionese, catchup e farinha são acrescentadas ao macarrão. Descubro um restinho de doce de jaca na geladeira. Receita especial da minha sogra. Bebida, comida e sobremesa. O que mais um homem pode querer na vida? Ah! E livre da quebradeira. Para comemorar ponho um CD de Raul. Era isso o que faltava para completar a minha plena satisfação. O macarrão e o doce de jaca não combinam muito bem na barriga. A descarga quebra. Fica parecendo que o banheiro do Arruda fica na minha casa. Então tento descansar no meu quarto. Mesmo com o ventilador quebrado. E até consigo superar o calor por causa do suor que está frio. Mas só por uns dez minutos. Porque o vizinho liga o som na maior altura. Dessa vez não é quebradeira. É brega (pintei/ o meu cabelo/ me valorizei/...)

Noite de terror. Altas horas da madrugada. O vizinho abaixa o som. Decido salvar a noite e assistir a um bom filme. Ingenuidade a minha. Bom filme na televisão numa noite de sábado é quase que impossível. Assisto a mais uma reprise na emissora do Plim-plim. O filme acaba e nem ao menos me lembro do título. Foi apenas um aperitivo. Estava esperando pelo “Altas horas”. Boas bandas. Bons convidados. Tem o púlpito. E ainda tem aquela mulher falando de sexo. Até que a noite não foi totalmente perdida.

Então eu durmo para chegar logo domingo. Dia de reunir os amigos. Dia de pegar a estrada e ir para a Ilha. Dia de vestir o manto sagrado. Pegar a bandeira do leão. Dia de desviar das blitz. Dia de um monte de coisa.

Chego ao estádio da Ilha do Retiro. A mensalidade está há sete meses atrasada. Enfrento uma fila enorme para pagar três parcelas e ficar em dias. Assistir ao jogo na arquibancada nem pensar. Lá o sol castiga a tarde inteira. Pago as três parcelas. Problema resolvido, em partes. Pego agora a fila para comprar o ingresso das sociais. Outra fila enorme. Ingresso comprado. Sigo rumo às sociais. Passo pela barraquinha de espetinhos. Lembro-me do piriri da noite anterior. Desisto do espetinho. O jogo começa. Fico só na água mineral. Cagar em estádio de futebol é um desafio que prefiro não enfrentar. O Sport pressiona. Bola na trave. O Ciro faz um gol. E mais outro. O time adversário só assiste. Fim de jogo. Sport líder isolado do campeonato.


E o fim de semana não poderia ter sido melhor.

26/01/2009

Sinuca de bico - Trio Pouca Chinfra e A Cozinha


na Radiola do Boteco desta semana, um sambinha maroto do Trio Pouca Chinfra e A Cozinha.

É som pra tomar umas e bater na caixinha de fósforo OU pra bater umas e... er... bem... ouçam aí:

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Na mesa bilhar tamanha foi esta aflição
ao enfrentar minha parceira,
Acostumada a madrugada e com o taco sempre a mão,
Pede licença e me provoca, ai, que faceira!

Finge-me distraído e fui de encontro à grande dor,
Ela sorriu, me pediu um minutinho.
Roçando o taco às suas pernas em meu ouvido sussurrou:
"pode deixar que quando eu boto é com carinho."

A desgraçada, mas que sinuca de bico!,
Com primazia todas numa só tacada
E ainda me pede: "vê se joga mais bonito, caro amigo
Bola branca não é pra ser encaçapada."

Se é despeito do teu peito, eu me retiro.
Se te fascina me humilhar sem ter pra quê,
Eu largo o jogo, penso numa canção bonita,
Compro uma ficha e arrisco um botticceli ao karaokê.
Eu largo o jogo, penso numa canção bonita,
Pouca chinfra, e arrisco um pavarotti ao karaokê.